A luta vã.

É chegada a hora do confronto. Do enfrentamento vivido há meses. Trinta e seis, passados, completos. O conto tem um olhar desafiador. Vem ganhando a batalha implícita desde 2.006. Queda-se inerte há três anos, intocado, mudo, delirante. Eu, por outro lado, trago a ânsia da escrita e a promessa da conclusão. Tento encará-lo, mas o som que vem do outro canto do ringue é forte, desconcertante, invasor. Toma conta dos meus ouvidos, evapora com minha concentração, traz consigo uma paz e uma quietude invioláveis. Ambos sabemos que a quietude é inimiga da criatividade. Ele me acerta o peito. Desvenda-se a causa do não prosseguimento literário. Descobre-se o problema. O problema tem nome. Seu nome é Moacir Santos. Inútil desvencilhar-me, tudo é inútil perto da canção. Não resta nada além e, se restasse, seria desnecessário e vago. Pego uma bebida, fecho o conto, desligo o micro e apago a luz. Não sou um oponente à altura. Sequer perco por pontos. O maestro, a cada embate, é o senhor do nocaute.
Escrito por Luís Fernando às 20h06
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