Depósito de Neuras


Grilado.

Sou só eu ou alguém aqui também se pega cantarolando essa musiquinha, dia e noite, não importa onde nem quando?



Escrito por Luís Fernando às 13h18
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Para encerrar o assunto.

Para encerrar esse assunto chato, sinto-me impelido a dizer, em respeito aos e-mails recebidos recentemente, que venho tentando escrever um novo conto. Porém, o acesso ilimitado através de banda-larga é a metástase desse câncer chamado falta de criatividade. Eu abro o Word, olho para aquela imensidão esbranquiçada por dez minutos e, quando dou por mim, já estou lendo algum jornal do mundo ou baixando algum CDzinho.

Portanto, farei como o Mário Bortolotto: levarei o laptop para algum ponto sem acesso à rede para que o trabalho possa fluir melhor.

Algumas pessoas me escrevem e elogiam os contos que foram publicados por aí. Eu agradeço, sinceramente, mas não quero que pensem tratar-se de falsa modéstia quando digo que não me considero um escritor. Não dá para levar a sério alguém que possui um trabalho estressante, complicado, totalmente desvinculado da arte, tampouco acreditar que, diante dessa rotina absurda, esse fulano encontrará tempo para criar, redigir, revisar e buscar algum lugar para publicar.

Fora que, além disso, devemos considerar o nulo talento para este ofício, né? Muito mais importante que qualquer outro critério acima mencionado.

Devo esclarecer que venho assistindo aos jogos do Flamengo no final-de-semana. Isso também extermina com o lampejo criativo de qualquer cidadão que tenha sangue rubro-negro correndo nas veias. Time safado, sem-vergonha e sem brio. É tão irritante que tu abre outra página em Word e, quando dá conta, já escreveu todos os palavrões que lhe foram ensinados durante os seus trinta anos de vida. Mas o que mais me irrita é que amanhã é aniversário do meu pai e tem transmissão en vivo do Fla-Flu, genialmente definido como o clássico nascido quarenta minutos antes do nada. E sei que, na primeira oportunidade, abandonarei os festejos e me verei sentado no sofá da sala, roendo as unhas e abraçado ao melhor presente que um pai podia ter desejado no seu dia.

Prova cabal de que o coração é burro.

Mas vou tentando escrever, apesar de tudo. Ouvindo Jorge Drexler, Squirrel Nut Zippers e Sérgio Sampaio, em algum canto da casa, buscando a porra da inspiração. Se rolar, temos a certeza de algumas mal traçadas linhas. Caso contrário, há sempre a opção de desligar tudo e sair jogando "Shadow Of The Colossus" no Playstation.

Penso no que escutei há tempos atrás. Alguém dizendo que os verdadeiros escritores passam a vida imersos em livros, drinques e dores lancinantes de cotovelo.

Se isso for verdade, definitivamente não é para mim.



Escrito por Luís Fernando às 20h19
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