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Segunda chamada.
"Boa tarde, doutor. É, recebi teu recado agora, estava cuidando de uns negócios pendentes que me custaram grande parte da tarde. Não, doutor, nada ilícito. É, eu sei que minha fama me precede, mas dessa vez não há nada que me complique. É claro que eu posso compartilhar contigo, o doutor é meu confidente, guardo-lhe muita estima, ainda mais depois daquele episódio em Dourados. Com o perdão da palavra, se não fosse Vossa Senhoria a essa hora eu estaria encarcerado e com a bunda a prêmio. Eu sei, quem mandou trancar matrícula na faculdade de letras? Pelo menos serviria para me colocar em uma cela mais reservada, se bem que eu duvido que naquela merda de cidade esse tipo de benefício exista. Bom, eu sei que o senhor deve estar atarefado e estou aqui, nostálgico de fatos com os quais deveria me ocupar menos. O que? Ah, a empregada ainda não preparou o seu banho. O senhor não existe, é uma peça rara de se encontrar. Mas a que devo a honra de receber telefonema tão ilustre? Como? Não entendi. Foram bater à sua porta? Quantos eram? Apenas dois. Se o senhor se recordar é claro que deve descrevê-los. Sim. O da esquerda: oriental clássico. Cabelos negros, pele alva, quase esquálido e sapatos mal engraxados. Mau-hálito. Estou tomando nota. Lembra-se do segundo? Tenho tempo. Moreno jambo, olhos verdes, musculoso, torneado, 38 na cintura. Fardado. Milico. O china estava fardado? Não. Ah, portava o distintivo, mas não estava fardado. Sim, doutor, estou anotando tudo, fique descansado. Mas eles disseram o que queriam? Anoto tudo, o senhor me conhece e sabe que todo virginiano é metódico. Chato? O senhor me faz rir. É claro que eu imagino por que estão me procurando, mas dessa vez creio que não precisarei dos seus serviços e, portanto, não há razões para aborrecimentos..."
Trecho do meu conto, que está na antologia de novos escritores. Recebi um e-mail do Ricardo, responsável pela editora, dizendo que o segundo lote dos livros foi postado esta manhã. Então eu ainda tenho alguns para vender a R$ 15, com garantia de autógrafo (grande merda!) e entrega num boteco onde o vinho seja bom.
Qualquer coisa: luispinotti22@yahoo.com.br
Comprei um CD duplo da Karnak ontem pela internet. Raridade a preço módico não pode ser ignorada, ainda mais por quem rodou todas as unidades do SESC durante os anos de estrada de uma das mais inventivas bandas brasileiras dos anos noventa.
Preciso me sentar em frente ao micro, esta noite, e escrever um texto para a próxima edição do Psicodelia. Mas quedê a inspiração para isso? Acho que vou assistir aos noticiários no início da noite.
Estou ouvindo Vanessa da Mata cantando "Onde Ir". Essa música me traz paz de espírito. Que nosso final-de-semana seja plácido e tranqüilo, como esta canção.
Escrito por Luís Fernando às 11h41
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Novos leitores.
A diretoria lê o meu blogue!
Tirem a prova dos nove: http://lancenet.ig.com.br/clubes/FLA/noticias/06-01-26/356898.asp
Ou estou me tornando vidente?
Escrito por Luís Fernando às 12h47
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Peraltices.

Existem coisas que só acontecem no Flamengo.
Apresentaram o uruguaio Horacio Peralta na segunda-feira. Jornalistas, dirigentes e outros curiosos de plantão se impressionaram com o vídeo de dez minutos exibido durante a solenidade. Se o jogador fizer um décimo do que foi visto ali, exclamavam os mais exaltados, sua credencial de ídolo deve ser confeccionada com brevidade. O histórico do atacante impressiona: com dezesseis anos, foi convocado para a seleção uruguaia. Chuta com as duas pernas, cobra faltas com maestria e pode atuar tanto como meia-armador quando como segundo atacante. Veio da Internazionale de Milão e recusou proposta do River Plate, clube argentino que disputará a Libertadores da América para poder vestir o Manto Sagrado. É o que dizem.
Para mim, Peralta só precisa fazer jus à tanta confiança que lhe foi depositada pela diretoria. Precisa jogar e, se jogar, pode ser que eu acredite em tudo isso que foi dito durante a sua apresentação. Depois de Obina, eu me tornei um incrédulo dos jogadores que chegam como esperança de "um oásis de gols" para o Flamengo. No passado, estrangeiros como o paraguaio Reyes e o goleiro Iustrich honraram a camisa como se fossem nascidos e criados na Gávea. Nos tempos modernos, o peruano Jorge Soto e o argentino Borghi quase mancharam essa tradição ao não corresponderem ao investimento feito pelas diretorias anteriores.
Vinte e três anos de idade, chegou deixando um rastro místico a cada passada dada. Pediu a camisa 39, união dos algarismos que representam a idade do filho com a data do nascimento do mesmo, após ter solicitado a camisa 11 e tomado conhecimento de que pertencia ao capitão do time, o apoiador Renato. Humildemente, acatou a informação, mostrando ter se enquadrado à hierarquia implícita na família rubro-negra. Provou personalidade sem hipocrisia e isso já me causou boa impressão.
Peralta já está treinando com o grupo e concentrado no mesmo quarto do paraguaio César "El Tigre" Ramírez, atacante que tem tudo para brilhar em 2006 no Mais Querido do Brasil. Os dois estão exercitando o espanhol, mantendo as origens, uma opção acertada da comissão técnica.
Tudo bem. Acertaram com o Peralta.
Então me ajudem a entender: http://lancenet.ig.com.br/clubes/FLA/noticias/06-01-26/356837.asp
Se vier para apenas atuar, será um ótimo reforço. Mas devemos torcer para, além disso, que a diretoria honre TODOS os compromissos assumidos com o atleta num eventual contrato a ser assinado. Senão, pelo recente histórico, é o prenúncio de nova ação judicial contra o clube. Mais uma entre as centenas que estão tramitando.
Eu voto pelo pagamento das dívidas, manutenção dos salários em dia e contratação de um ou outro atleta para o elenco. Já assinaram com o Peralta? Então vamos investir no uruguaio e seja o que Deus quiser.
Mas me esqueço que é Kléber Leite o responsável pelo departamento de futebol. Isso é um retrocesso. Um sinal de apostas arriscadas, inchaço financeiro e manobras de marketing furadas.
Uma pena. Eu tinha tanta esperança num 2006 melhor.
Escrito por Luís Fernando às 09h51
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Súdito de Momo.
Ontem, após muito suco de caju gelado, concluí o esboço do meu próximo conto.
Haverá um especial de carnaval em Blocos On Line e fui convidado a escrever uma ficção sobre o tema. Ouvi muitos sambas do Chico Buarque, compostos em grande parte entre o final dos anos sessenta e a metade dos anos setenta, alguma coisa do Nelson Cavaquinho, do Cartola, do Carlos Cachaça e do Hermínio Bello de Carvalho. Para tentar entrar no clima, mesmo com cerca de um mês de antecedência para o feriado mais aguardado por mim desde que era um garoto de matinês.
Sim. Eu ia às matinês dos clubes com minha prima Juliana. Tenho até uma foto em casa que comprova o fato. Eu vestido de pirata, ela vestida de bailarina, íamos a um clube do interior, ao lado da pracinha com coreto. Me lembro de ter gasto vários saquinhos de confete e de ter ficado doente com a friagem noturna, já que saía do baile suado e com a fantasia toda esgarçada de tanto pular.
Eu não sei se irão publicar meu conto neste especial, já que o critério para seleção de textos ali é apuradíssimo. Mesmo tendo sido convidado por um dos editores, tenho a certeza de que trabalhos com qualidade superior estão sendo criados enquanto posto esta mensagem aqui. Mas eu gosto tanto, tanto, tanto deste feriado que assumirei um compromisso perante meus seis leitores: se não publicarem em Blocos, eu publico por aqui.
Poderia deixar para publicar em Garranchos, uma página que meu amigo e eu estávamos criando para que fosse uma casa de contistas, cronistas, poetas e espancadores de teclados de qualquer outra espécie. Porém o site que nos concederia hospedagem gratuita foi torpedeado por um submarino russo e, diante disso, nosso projeto naufragou junto com toda a sua preciosa carga. Incluindo uma foto do Chespirito em idade avançada, relíquia enviada pelo Rafa, as duas outras mãos do falecido.
E, desta vez, não enviarei o conto para prévia análise de noventa amigos. Enviarei para quatro pessoas, já incluindo minha mãe nessa listinha. Revisarei o conto por apenas uma vez e não tocarei mais nele.
Cesar Aira é um escritor argentino que eu adoro. Não se leva a sério, nunca revisa o que escreve e jamais se considerou um intocável das letras. Eu, diferentemente disso, apenas reviso o que escrevo, sequer me considero um escritor, quanto mais um intocável. E nunca me levarei a sério quando estiver sentando em frente ao micro, bebendo vinho e tentando arrancar uma ou outra palavra de onde a criatividade já habitou.
Nesse conto de carnaval, terei meu dia de Cesar Aira. Sob a batuta e Momo, primeiro e único.
Escrito por Luís Fernando às 16h30
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Menção honrosa.
Me sinto honrado por estar blocado.
Blocos On Line possui menção honrosa da UNESCO como uma das páginas literárias da internet recomendada aos consumidores compulsivos de cultura.
Tenho dois contos ali. Graças a eles tenho contato com Augusto, um moçambicano que leu meu "La Noche" no português daqui e, desde então, caça meus escritos pelo Google. Nunca pensei que meus textos cruzariam o oceano.
Se você um dia me dissesse que eu teria contato com Moçambique por causa do que escrevo, daria risada na tua cara. Entrar no mundo virtual pode ser decisivo. É por isso que continuo acreditando nos autores sem espaço nas editoras. Aos poucos, todos juntos caminhamos diariamente para transformar a internet na nova biblioteca da literatura nacional.
Tem muita gente boa espalhada pelos sites. Venha nos conhecer e eu duvido que você não abandone seus velhos best-sellers por alguns minutos.
Escrito por Luís Fernando às 13h06
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MVP! MVP! MVP!

O que você vai dizer sobre um jovem que faz oitenta e um pontos em uma partida de basquete válida pela temporada regular?
Eu diria o que o treinador dos Los Angeles Lakers, Phil Jackson, disse:
"Eu já vi alguns jogos inesquecíveis, mas nunca tinha visto algo como isso".
Dá uma espiadinha: http://esporte.uol.com.br/basquete/ultimas/2006/01/23/ult60u11122.jhtm
Eu me lembro de quando jogava basquete de rua com meus amigos. Prendíamos uma tabela com cordas, bem amarradinha, na proteção de tela de uma das janelas da fábrica de móveis que existia em nosso bairro. Às vezes passávamos o final-de-semana disputando partidas em duplas e era sensacional. Mas não me lembro de alguém ter feito oitenta e um pontos em uma única partida, e olha que não tínhamos tanta estatura quando os pivôs que fazem da NBA um dos melhores programas para uma noite de sexta-feira modorrenta.
Em quarenta e oito horas, não fazíamos o que Kobe fez em quatro quartos. Depois joguei três anos pela equipe de baquete do clube onde sou sócio. Nada de oitenta e um pontos numa mesma partida. Não que eu seja um parâmetro, comparável aos gigantes norte-americanos, mas creio que por esses e outros feito ele mereça ser eleito o MVP da Liga , fazendo jus às comparações, ainda que não tão comparáveis, com o lendário Wilt Chamberlain.
Escrito por Luís Fernando às 07h41
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