Depósito de Neuras


Náusea.

Enjoei do blogue.

Mas eu volto. Eu sempre volto.

Por enquanto, aguardem meu conto (está saindo... saindo... saindo...) e ouçam Tiê, boa surpresa da música brasileira.

Depois, venham aqui para comentar, espinafrar ou dizer oi. Tudo isso é bem-vindo e não faz mal.



Escrito por Luís Fernando às 20h29
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Em 2.010.

Divirta-se com Hélio dos Passos. E com quem bem entender. Não se esqueça de ser muito feliz. E de mandar o resto para a casa do caralh...



Escrito por Luís Fernando às 23h50
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Em 2.009.

Perdi o emprego. Depois, ganhei outro emprego. Aumento salarial. Comprei um apartamento. Depois gesso, piso, aquecedor, armários e granitos, necessariamente nessa ordem. Muitos livros lidos, nenhum conto escrito. Redescobertas e reencontros. Pai e mãe ainda mais sensacionais. Um filho que foi feito para mim, ainda que não por mim. Tricampeonato carioca. Hexacampeonato brasileiro. Amor, amor, amor, amor. Choro também, mas muito amor. Raiva também, mas muito mais amor. Perdas. Ganhos. Mais ganhos que perdas, com absoluta certeza. Desenhos animados no You Tube. Pouco MSN, pouca paciência para internet, paciência nula para conversar num laptop, muita saudade de boteco com os grandes, poucos e ótimos amigos de toda uma vida. Muitas descobertas sonoras. A delicadeza de Tiê. Charley Patton e seu blues do Delta. Os anos de Etta James na Chess Records. Os anos de Billie Holiday na Columbia. O antológico disco do Jorge Ben com o Gilberto Gil. A polenta ao funghi do Nico. O bloody-mary do Paulo Tiefenthaler em seu programa genial do Canal Brasil. Os vinte anos dos Simpsons. Muita coisa boa no DVD. "Gran Torino". "Watchmen". "Avatar". "Whatever Works". "Tetro". Pirataria a todo vapor. Culpa nenhuma para carregar. Exorcismo de exús. Futebol às segundas-feiras. Nada além disso. Caipirinha de saquê. Mesmo carro. Mesmo estilo. Mesmo mundo. Mesma paz.



Escrito por Luís Fernando às 23h12
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Seis.

Para curtir a ressaca do hexa, tem até trilha sonora.



Escrito por Luís Fernando às 21h49
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É assim que é.

As coisas passam, você vai me dizer, e isso soa como uma ofensa aos ouvidos. Tu vai dizer isso justo para quem? Não sabe que eu sou o inconformismo em pessoa? Essa história de que tu precisa erguer as mãos para os céus e agradecer pelo que tem me parece um papo de fracassado. Ah, muita gente não tem o que você tem. Isso não é minha culpa, não venha depositar em mim o teu ceticismo, o teu comodismo e a tua fraqueza. Não quero ver ninguém, nem ter ninguém, muito menos ser ninguém aos olhos dos outros. O que faço é para mim. Já fiz muito por quem hoje me diz que a vida é assim mesmo e que nem sempre tudo é como gostaríamos que fosse. Bullshit, diriam os texanos, os novaiorquinos e toda aquela raça das bandas de lá. Nunca li esses livros de auto-ajuda, nunca meus olhos correram páginas que ensinam a acreditar em si mesmo. Eu já nasci sabendo disso. Eu já cuidei de uma idosa, vou te dizer, e tu vem e diz que eu não sei nem cuidar de mim mesmo? Então não fique aqui do lado, olhando, esperando escutar de mim alguma coisa que nunca daqui sairá. Tenho lido muito e falado pouco. É bom ser assim de vez em quando, apesar de soar estranho. O silêncio soa estranho. É um bom começo de conto. Não tenho vindo muito por aqui. É bom que as pessoas sintam um pouco a nossa falta. Até dá para acreditar que a vida é um pouco disso, um grão de ausência sentida. Dá sim. E se te interessa, até sonhar com isso é bom.



Escrito por Luís Fernando às 13h54
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As vantagens de se ter amigos.

Uma delas é poder assistir a um filme daquele que, na sua opinião, é um dos maiores criadores da história do cinema, o qual somente (e oficialmente) estreará por aqui em 2.010, com imagem de DVD e legendas incrivelmente simétricas e com tradução de alto nível (ainda que caseira), acompanhado de um pote repleto de Iô-Iô Crem, de uma colher, sabendo que as pessoas que você ama estão dormindo no quarto ao lado, tranqüilas, após terem passado um sábado sensacional do seu lado.

É por isso que eu digo: morra amigo do seu distribuidor de filmes alternativos.



Escrito por Luís Fernando às 13h31
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A razão da minha ausência.

Tunguei a foto daqui.

Ontem à noite pensei, será que alguém sente falta do que escrevo?

E eu mesmo respondi, se nem eu sinto, não deve haver quem sinta.

E tudo vai seguindo assim, como cantou alguém em algum lugar.



Escrito por Luís Fernando às 21h26
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A razão da minha ausência.



Escrito por Luís Fernando às 21h34
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Seu Filemon, 87.

"O mundo é que nem buchada, só vai com cachaça".

"Quem ouve o que os outros dizem ou é doido, ou quer morrer".

Do blogue do PH, via Camilla Lopes.

Sério candidato a tornar-se meu filósofo preferido.



Escrito por Luís Fernando às 20h12
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San Quentin.

O distribuidor de filmes piratas deve ser com um fornecedor de armas clandestino. Deve se portar com discrição, falar pouco e só trazer artigo fino. Você deve confiar no cara, saber que aquele produto não vai falhar na hora agá, assim mesmo, por extenso. Imagina se tu compra um treisoitão e, em cima da pinta, o bicho refuga, pipoca e falha? Mal comparando, até porque eu sou um pacifista inveterado, mas o blogue é meu e eu escrevo o que eu quiser e faço analogia com o que bem entender, é uma merda quando tu vai até a feirinha, enfrenta aquela fila para arrumar uma vaguinha no estacionamento de dois reais, pega uma puta duma tromba d'água, adquire o que chamamos carinhosamente de PACOTÃO DE ENTRETENIMENTO e, já no aconchego do seu lar, a mercadoria é de péssima qualidade. Azeda o créme de la créme, não há humor que resista, ainda mais se for aquela comediazinha romântica que sua companheira amorosa está doida para assistir e que tu não a levou ao cinema porque o ingresso está custando os olhos da cara e você não é palhaço para gastar quase vinte pilas no combo médio do Cinemark.  

Pois bem. Eu, que não sou bobo, nem nada, até porque sou flamenguista de coração, para desgosto do meu pai, e isso explicita meu elevado Q.I, detenho laços tão fortes de amizade com os meus fornecedores de películas em formato DVD que não devem se assustar os desavisados que se confrontarem com suas presenças no altar do meu casamento. Obviamente, trata-se de um exagero concreto e abusivo, mas não encontrei nada mais impactante para mesurar a relação de confiança que deve haver entre o consumidor e o negociante. É nessa maré que cheguei de mansinho naquela Cinecittá ambulante e, mediante transmissão de pensamento, lá estavam separados os lançamentos para olhares atentos dos fregueses preferenciais. E quem integra esse seleto grupo sabe como nos sentimos. Nos sentimos como habitués dos áureos tempos do Gallery com tanta consideração, com a diferença de que tu não precisa usar um smoking alugado para ser VIP.

Terminei comprando a 12ª temporada dos Simpsons, já que estou colecionando para mostrar aos meus bisnetos como se fazem desenhos animados de verdade e, de quebra, fui no novo do Quentin Tarantino. "Bastardos Inglórios". Eu sou fã do Quentin, ex-balconista de locadora, como eu fui. Mas bom escritor e multimilionário, como não sou. E, desde o começo, percebe-se que não se trata de um experimentalismo do diretor, como naquela pífia homenagem aos velhos filmes de terror. É um verdadeiro Tarantino, um espécime legítimo, como aqueles aquelas obras do Hélio Oiticica que, infelizmente, tornaram-se pó de urna. Humor refinado, roteiro elaborado, elenco afinado, boa trilha sonora e um desfecho extremamente empolgante.

Todo mundo queria ver o filme por conta do Tarantino e do Brad Pitt. Este, aliás, num momento tão brilhante quanto aquele seu cigano de "Snatch", obra-prima do ex-Madonna. Mas algumas outras coisas me surpreenderam além. Eli Roth. A participação espirituosa de Mike Myers. A beleza de Diane Krüger como uma agente dupla. Mas ninguém consegue superar Christoph Waltz em matéria de atuação: numa boa, seu Coronel Hans Landa é a personificação do anti-semita, do nazista arraigado, a fusão do cativante com o monstruoso. Assim eram os nazistas, não? Não foi Hitler descrito desta forma em todas as suas biografias?

Vale cada centavo, vale cada segundo de tempo gasto diante do televisor (no meu caso, com um pote de Io-Io Crem gelado no colo) ou na sala de cinema (sendo roubado pela lanchonete do Cinemark). A cena dos bastardos travestidos de investidores italianos na premiére nazista já vale o ingresso, o estacionamento, o disco, a fila, etc. Quentin Tarantino é o messias do cinema. Não confundir o título dessa postagem com a canção do Johnny Cash, que também era boa pra caralho, mas isso é uma outra conversa.



Escrito por Luís Fernando às 20h48
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A luta vã.

É chegada a hora do confronto. Do enfrentamento vivido há meses. Trinta e seis, passados, completos. O conto tem um olhar desafiador. Vem ganhando a batalha implícita desde 2.006. Queda-se inerte há três anos, intocado, mudo, delirante. Eu, por outro lado, trago a ânsia da escrita e a promessa da conclusão. Tento encará-lo, mas o som que vem do outro canto do ringue é forte, desconcertante, invasor. Toma conta dos meus ouvidos, evapora com minha concentração, traz consigo uma paz e uma quietude invioláveis. Ambos sabemos que a quietude é inimiga da criatividade. Ele me acerta o peito. Desvenda-se a causa do não prosseguimento literário. Descobre-se o problema. O problema tem nome. Seu nome é Moacir Santos. Inútil desvencilhar-me, tudo é inútil perto da canção. Não resta nada além e, se restasse, seria desnecessário e vago. Pego uma bebida, fecho o conto, desligo o micro e apago a luz. Não sou um oponente à altura. Sequer perco por pontos. O maestro, a cada embate, é o senhor do nocaute.



Escrito por Luís Fernando às 20h06
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Eu sempre acreditei no pagode.

Conheça o melhor canal de músicas do You Tube.

Indicação da Bruna Beber.

Mas tem tudo a ver com Camilla Lopes.



Escrito por Luís Fernando às 20h09
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Eu sou o que eu escrevo?

É engraçado como as coisas vão mudando nas nossas vidas. Quando comecei a escrever este blogue, a primeira coisa que eu fiz após a publicação da primeira postagem foi começar a visitar outros blogues. Então, a cada blogue visitado e a cada texto alheio comentado, restava em mim aquele expectativa de retribuição, de boa vizinhança, de calor humano, como se irrompesse de mim a necessidade de ser notado, lido, comentado tanto nos cafés parisienses quanto na Boca do Lixo paulistana. E eu visitava, e havia retribuição, e aquilo me obrigava a escrever mais e a visitar mais e a contar os comentários. Aí eu comecei a escrever uns continhos no computador aqui de casa e publiquei o conto numa revista literária que nem existe mais, da qual eu nem me lembro o nome, infelizmente. Mas eu queria ser lido, comentado, visitado. E pensava que escrever os contos traria mais pessoas para o blogue e que traria um foco maior para as coisas cotidianas que aqui sempre foram escritas. E eu escrevia contos à rodo, simplesmente pela evidência. Devo até ter feito um ar blasé de quando em vez, o que, definitivamente, não é muito a minha praia. Enfim, a gente sai do nosso corpo em algum momento da vida, e nem é preciso tomar o Daime para liberar nossos exús. E eu sempre esperava que, o que eu iria escrever, talvez gerasse uma conversa, um interesse ou coisa que o valha. Mas, quanto mais eu publicava os contos, mais ruins eles ficavam, então eu resolvi parar de escrever por um tempo. E, quando eu dei essa pausa, comecei a receber alguns e-mails de pessoas que realmente gostavam do que liam, que perguntavam quando sairia um outro escrito, se haviam processos criativos, modos de ação premeditados. Outros que escreviam somente para dizer que se identificaram com uma ou outra personagem, ou que a cidade descrita era igualzinha àquela onde costumava passar suas férias de infância, ou até que o homem sisudo lembrava um pouco o seu próprio pai. E eu fui percebendo, quando parei de escrever naquela primeira vez (há dois anos não publico nada, nem uma linha literária sequer em lugar algum do mundo), que estava me dedicando a um ofício que nem era tanto a minha praia ou que não era tão talentoso como um dia me julguei, mas que as pessoas que se interessam por algo que você faz só precisam se interessar por aquilo ali. Pelo produto final. O que eu faço nesse meio-tempo não importa muito, ou melhor, não importa nada. O meu blogue, que eu escrevia pensando no impacto de cada linha, tornou-se cada vez mais interessante para mim e cada vez menos interessante para os outros, até porque muita gente que me acompanhou no começo hoje já nem deve passar por perto daqui. E fui perdendo aquele sentimento de obrigação, aquele dever de visitar, porque eu não estava mais a fim de receber aquele que não chegasse aqui por vontade própria, ainda que digitando um endereço errado. E aquela esperança de me tornar o blogueiro do século pela qual, acredito, todo mundo que começa a escrever na internet é tomado de assalto desapareceu como que por magia. Eu continuo escrevendo sazonalmente por aqui, continuo procurando o CD ideal para sempre tentar um novo conto ou, quem sabe, um romancezinho chinfrim, sem o menor interesse em abrir minha alma como a um livro de biblioteca, que passa por mãos desconhecidas, que alcança lugares pelos quais eu nem gostaria de passar. Também, depois daquela interrupção, escrevi mais algumas coisas que continuaram sendo publicadas em lugares bacanas, mas que, ao contrário da produção em massa, de certa forma me trouxeram a pontinha de orgulho e me fizeram soltar aquele clichê, porra, isso está bom, nem acredito que fui eu quem fez. E vou além: tenho amigos queridos, pessoas que realmente considero e que só conheci porque o blogue perdura, levando-me por diversos caminhos. Essas ficarão, sem sombra de dúvidas. Ah, é bom aproveitar o ensejo, como dizem os ofícios da prefeitura, que não preciso conhecer para divulgar, que aqui não é confessionário, que eu só acesso o que me diz alguma coisa e que meu compromisso é com o que me faz bem. Quer saber? Não pretendo mudar, nem o meu jeito de ser, nem a idéia de quem está começando seu primeiro blogue. Mas esse respeito sempre vai predominar. Portanto, caso você acredite que seu blogue vai mudar o mundo, go straight ahead, vou adorar saber que há esperança. Mas, se um dia você se identificar com o que acabou de ler, puxe a cadeira e sente-se ao meu lado. Sempre haverá um copo a mais na mesa da vida para quem quiser beber um gole dessa história.



Escrito por Luís Fernando às 21h25
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Bailando.

balesp

Quem me falou sobre a Bruna Beber pela primeira vez foi a Carol. Quando voltávamos da Bienal de Artes de São Paulo, em 2.006, ela comentou que havia se encontrado com ela na noite passada, disse que era uma garota que daria o que falar. Pois bem. Quando ela lançou seu primeiro livro, não sei se dormi no ponto, não sei se foi todo esse estrondo, mas não consegui comprá-lo para confirmar o que me havia dito Bensimon. O consegui emprestado, meses depois, com um primo distante que, coincidentemente, veio passar uma temporada por aqui com uma mochila recheada de poesia, li e gostei muito.

Agora, tem lançamento do seu segundo livro. "Balés". Grande nome. Dá aquela impressão de que as palavras dançam na linha dos nossos olhos, formando melodias sem som, deixando nossa alma em paz.

Espero que esgote como aquele livro de estréia. Mas que, dessa vez, eu consiga o meu sem depender de pessoas que nunca encontro.



Escrito por Luís Fernando às 10h42
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Curso avançado de gastronomia.

 

Cada um tem o seu estilo de humor, não é mesmo?

Para mim, um dos melhores programas da atualidade.

Todas as sextas-feiras, meia-noite e meia, no Canal Brasil.



Escrito por Luís Fernando às 22h30
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